Ó Santa Cruz, testemunha da obediência de Cristo

O Amor à Cruz é um dos deveres gerais da Opus Angelorum. A Consagração a todos os santos Anjos é uma aliança com eles sob a estandarte da cruz. Por isso, cada membro da Opus Angelorum precisa possuir um amor distinto à Cruz, porque nela está Nosso Senhor e debaixo dela está Maria, nossa Mãe. A Cruz há de ser para cada membro da Opus Angelorum consolação, força e admoestação, chave para a porta do céu e baluarte contra o inferno.

Pensando nesse amor à Cruz, faremos uma série de meditações sobre um simples e profundo texto da O.A chamado “O cântico à Santa Cruz após a Ressureição do Senhor”. Esse texto é um canto com 12 louvores à Cruz, após ter sido o instrumento da Paixão que conduziu Nosso Senhor Jesus Cristo a Sua glória na manhã radiante da Ressureição. Em cada invocação à Cruz há uma descrição simbólica que remete a missão que Deus quis que a Cruz assumisse no mistério da redenção da humanidade, e é nesta descrição que nos ateremos e nos aprofundaremos.

O primeiro louvor à Cruz é este:

“Salve, ó Santa Cruz, testemunha da obediência de nosso Senhor Jesus Cristo! Servindo ele andou sobre a terra e construiu para a humanidade, com Seu Sangue, uma nova habitação, ELE, o salvador!”

Saudamos a Cruz como testemunha da obediência de Nosso Senhor porque ela experimentou em si a doação total de Jesus à vontade do PAI ao deixar-se pregar e morrer sobre ela, ligando-a assim, para sempre, à ELE. Com efeito, chamamos de testemunha aquele que presenciou ou ouviu certo fato ou dito. Deste modo, como não poderíamos chamar a Cruz de testemunha, se foi nela, pregado nela, que nosso Senhor pronunciou o Seu testamento, Suas sete palavras deixadas como herança para nós? Será que recordamos quais são essas sete palavras?

           A primeira palavra é:  «Perdoa-lhes, ó PAI, porque não sabem o que fazem.»
           A segunda palavra é: «Em verdade te digo: Hoje estarás Comigo no Paraiso.»
           A terceira palavra é dupla, mas una:  «Mulher, eis aí o teu filho.» e «Filho, eis aí a tua Mãe.»
           A quarta palavra é:  «Tenho sede.»
           A quinta palavra é: «Meu DEUS, Meu DEUS, porque Me abandonaste?»
           A sexta palavra é: «Tudo está consumado.»
           A sétima palavra é: «PAI, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.»

            Ainda sabemos, pelo Evangelista são Matheus, que a cruz dará testemunho da segunda vinda gloriosa de Cristo quando escreve que “aparecerá, então, no céu, o sinal do Filho do Homem. Então todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com grande poder e glória.” (Mt 24, 30). E nesse sentido, Tomás de Kempis em seu livro A Imitação de Cristo vai dizer que “todos os discípulos da Cruz que conformaram a sua vida com a de Jesus Crucificado, com grande confiança aproximar-se-ão de Cristo juiz.”

            Sem dúvidas, aquele que em vida aceitar o testemunho que a Cruz dá da obediência salvífica de Cristo ao PAI por nós, será atraído por ela para o juízo sem medo da condenação eterna, pois acreditou, obedientes ao seu Senhor, que sem ela não se pode ser um verdadeiro discípulo, nem receber a herança eterna.  Romano Guardini vai dizer ainda que Jesus “viu o mandato do PAI ao olhar para a Cruz, nossa salvação” e que por isso “a quis com toda a força do seu coração.[1]

            Olhemos também para a Cruz, para a Cruz perdurada nas paredes de nossa casa, de nossos quartos, em nosso terço, em nossos carros, e façamos o esforço sincero e piedoso de lembrar que ela está ali dando-nos testemunho de Cristo, da obediência de Jesus que, derramando Seu Sangue, construiu uma nova habitação para nós. Essa nova habitação é a vida na graça, a vida divina que já se inicia aqui neste mundo e que se consumará no céu.

            Por isso, louvemos e agradeçamos a Deus pela Cruz
          «Testemunha da obediência de nosso Senhor Jesus Cristo!» Amém.


[1] [1] «Den Auftrag des Vaters sieht er im Kreuz, unser Heil. Das will er mit aller Kraft seines Herzens.» – Guardini, R., Den Kreuzweg unseres Herrn und Heilandes.